12 maio 2005

10 maio 2005

Crônicas da Realidade

A Hora de Sair de Cena

Mariazinha Cremasco
Chupam gilete/ Bebem xampú
Ateiam fogo / No quarteirão
(Poema Enjoadinho - Vinícius de Moraes)
Quando nasce, é uma loucura: não tomou a mamadeira, está com dor de barriga, o cocô está verde, vomitou, arrotou, não arrotou, não dormiu bem. Termômetros, cremes, pomadas, talcos, gaze, algodão. Cotonetes, hipoglós, fraldas descartáveis, cestinhos, carrinhos, cadeirão. Vacinas, remédios, quanta preocupação. Começa a pré-escola: coitadinho. Tão pequenininho. Será que a professora vai ter paciência? E se ele chorar? Será que deveria ir para a escola tão cedo? Remorso.
Primeiro grau: lave as mãos antes de comer. Escove dentes. Levante a tampa do vaso. Não brigue. Respeite a professora. Não pegue nada que não seja seu. Cuidado. Não corra. Faça a lição. Durma cedo. Televisão até as oito horas. Cuide do seu irmãozinho.
Pré-adolescência: o que você está fazendo aí trancado? Abra já essa porta. O que está lendo? O que está assistindo? Olha lá, heim? Eu tô de olho em você. Não ponha o dedo no nariz. Que feio. Coma direito. Coma devagar. Lave as orelhas. Vou contar pro seu pai.
Adolescência:não, não pode pegar o carro. Você não pode, não está apto. Abra já essa porta. Arrume suas coisas. Saia já da internet. Com quem está falando? Desliga esse telefone já. Tome banho, não durma tarde. Não chegue tarde. Estudou? Comeu direito? Leve agasalho. Passe filtro solar. Lave direito essa cabeça. Vá dormir mais cedo. Amanhã tem prova.
Até um dia que vem a terrível frase: "eu não pedi pra nascer". E a gente se arrebenta. E a gente se arrasa. E a gente definha. Mas que bobagem. Quem ainda não disse essa pérola? Todo mundo já falou isso um dia. "Eu não pedi pra nascer". E quando ouvimos isso de nossos filhos, nos enterramos. Ficamos péssimos. Invariavelmente essa frase é dita na adolescência, ou na pré-adolescência. Mas pensando bem, eles têm razão. Amor de mãe. Que coisa mais sufocante. É um amor desmedido, sim. Um amor absolutamente sem limites. A mãe deixa de ser ela mesma e passa a ser o filho. Viver a vida do filho. Respirar o ar do filho. Mesmo as mais modernas se flagram "sendo os mesmas e vivendo como nossos pais". Tudo o que não se quer é repetir os erros dos pais. Mas o que mais se faz é isso mesmo. Repetimos o que julgamos erros. Porque, basicamente, esse é o ciclo. Temos tanto amor que acabamos interferindo demais. Viramos as chatas, as vilãs. Nossos filhos vêm qualidades apenas nas mães dos outros.
Claro. As outras mães não os incomodam. São só eventualmente presentes.
Mas as nossas mesmo... Pô! Mãe é tudo igual. Só muda de endereço. Eu me acho moderna, atual, acompanho tudo. Mas me flagro fazendo várias dessas coisas descritas acima. E me censuro. E me policio. E volto a fazer. Sabe por que? Nós, mães, deveríamos saber a hora de sair de cena. Teria que ser mais ou menos como uma lei trabalhista. Mãe deveria ser um cargo. Um cargo a ser abandonado em certa altura da vida dos filhos. Passaria a ser apenas parte da família, como o pai e os irmãos. Porque mãe, mãe é uma chatice. Mãe não se toca. Mãe enche a paciência. Mãe é um porre.Mães, desuni-vos. Vivam e deixem viver.

07 maio 2005

Feliz Dia das Mães

Hoje é véspera do dia das mães e eu fui comprar um presente para a minha mamãe.
Ela tem 86 anos, sobrevivente de um infarto seríssimo, que lesou toda a parte posterior do musculo do coração.
Dezessete dias de UTI coronariana, dois anos depois, D.Iracema está ótima.
Lucida, bem humorada, trabalhadeira, não para, os armários dela são de dar inveja de tão arrumadinhos.
" - Mamãe, pra que ir à feira? Compre no supermercado frutas e verduras, o preço é parecido e voce não consome tanto assim!" ,
Ela diz: " - Mas voce ainda não aprendeu que na feira não tem frescor?"
Está sempre bem vestida, cabelo tingido e penteado, um colarizinho e brincos, um primor. E nem se atrevam a perguntar
sua idade, fica uma fera e responde: " - Porque,? Quanto voce me dá?" E cuidado com a resposta, ela fica muito brava se
disserem que ela é velha, idosa, ou coisa parecida, Até pra médico ela mente a idade...
Minha mãe nunca teve vaidade quando moça, talvez porque tivesse uma casa grande, tres filhos, uma sogra e
um marido para tomar conta, mas depois que se tornou mais experiente, passou a usar cremes, fazer unha, tingir cabelo
e comprar roupas...na feira! " - Mas na barraca da feira tem coisa muito boa, é só saber escolher!". E ela está sempre estilosa!
Acreditem, ela ainda costura e muito bem!
Mas na verdade, estou falando nisso porque vejo minha mãe como uma mulher moderna para o tempo em que viveu, sempre foi dona do nariz dela, trabalhou quando solteira, casou e teve filhos mas sempre tomou conta da organização das finanças da familia, comprou, vendeu, reformou, aprendeu a dirigir, comprou carro, vendeu carro, colocou cada filho em seu caminho e ainda juntou um patrimonio pra se manter na velhice.
Economica e pratica, nunca foi sovina nem gastona. Nos idos dos anos 70, minha mãe era uma das pouquissimas mulheres que dirigia seu proprio carro e me levava aos bailes e ficava comigo , tomando conta, um dia escrevo sobre isso...
Tenho muito orgulho da mulher forte e valente que dirigiu minha vida e me entregou a direção, quando eu já podia fazer isso sozinha! E eduquei minha filha para que ela tambem tivesse oportunidade de sentir o que eu sinto hoje, amor e orgulho da mulher que me deu à luz.

06 maio 2005

Pintura

Eu resolvi fazer uma limpeza em casa, mandei pintar a sala, cozinha e daí deu a doença do Jaque, jaque tá fazendo isso, faz mais aquilo, jaque tá fazendo aquilo, faz mais aquilo e assim vai! Acabei ficando uma semana com pintor em casa, sorte que ele é gente finissima, engraçado e educado, trabalhador como ninguem! Mas foi muito cansativo, hoje quando ele saiu, deu uma sensação de paz, inigualavel.
Mas ainda tem muita coisa pra fazer, espero orçamento do tapeceiro pra forrar o sofá, o do orçamentista do carpete de madeira, nunca vi coisa mais demorada, ninguem tem pressa de nada, saco!

26 abril 2005

O Nosso Presidente disse...

Tirado daqui
Lula diz que brasileiro 'é incapaz de levantar traseiro da cadeira' para pesquisar juros menoresLuiza Damé - O GloboBRASÍLIA - Em discurso durante a cerimônia em que foi sancionada a Lei que cria o Programa Nacional de Microcrédito Orientado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o comodismo das pessoas. Segundo ele, embora reclamem dos altos juros cobrados pelos bancos e administradoras de cartão de crédito, essas pessoas não tomam providências para transferir a conta para outro banco e continuam apenas reclamando. - Às vezes o cara está no bar, com um grupo de amigos, tomando um chope - o que é um direito dele, todo filho de Deus tem direito a tomar um chopinho de vez em quando, de preferência na sexta-feira - está lá xingando o banco, xingando os juros, xingando o cartão de crédito, mas no dia seguinte é incapaz de levantar o traseiro da cadeira e ir no banco mudar. É o comodismo das pessoas, que reclamam de noite e de dia se conformam, não há uma ação. Se as pessoas tivessem consciência não pagavam 8% de juros ao mês, até porque não é pobre que tem cartão de crédito, é uma classe mais sabida intelectualmente, de maior posse - discursou.
O presidente também cobrou mais uma vez aos bancos públicos que facilitem cada vez mais os empréstimos para as pessoas mais pobres.
E eu posso??? Ai, que saudades do FHC...

25 abril 2005

Lembranças...

Achei lá na Bagunceira e me trouxe lembranças...

Outra Vez

Roberto Carlos
Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha estória
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade sem nada a perder
Você foi toda felicidade Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto
De mim outra vez
Nossa, essa musica marcou minha primeira gravidez, meu marido viajando pela Europa, de primeira classe e eu gestando uma filha pra ele, muito gorda e me sentindo solitaria...chorei todos os dias, tadinha da minha filhota, até que ela não sentiu o clima...

Série nova na Sony

Antonio Brasileiro

Sexta, filmes alugados: "O Terminal" - ótimo, "Por um Fio" - medio.
Sábado assistindo filme, passeando por aqui, um pouco de tédio.
Ontem, domingo, um "dolce far niente", liguei a tv, nem um filme bom, coloquei no Multicanal e surpresa: O especial de Tom Jobim, Antonio Brasileiro, com Chico Buarque, lindo e jovem, Edu Lobo, charmoso e cantando uma maravilha,Gal gloriosa, até a Marina Lima conseguiu ficar interessante.
Que homem lindo!