Lembro da casa da minha avó Ana, em Santo Andre.
Uma casinha pequenina, tão arrumadinha que parecia de boneca.
Tinha cristaleira, chapeleira, penteadeira!
Meu avô José, um espanhol sério e bonzinho, sentado na mesa de trabalho dele, no quartinho do fundo, lia o jornal todinho, pagina por pagina, inclusive os "reclames".
Minha avó, lidava com as plantas, tinha orquideas, muitas e lindas, tinha temperos, dálias e rosas, tudo isso numa faixa pequenina de terra. E tinha o pé de figo, que minha avó ensacava fruto por fruto, para os passarinhos não bicarem.
Eu e minha prima, eu de SP e ela de Botucatu, nos encontravamos todas ferias lá e era uma farra!
Minha avó fazia conservas, de frutas, de legumes, mas a campeã era a de tomate.
Um caldeirão de tomates e temperos, quilos e quilos de tomates, que ela plantava no terreno da casa do irmão, que era uma figurinha tambem, um dia conto a estoria do Tio Estevão. Mas voltando aos tomates, ela cozinhava aquilo tudo por horas e nós rodeavamos, esperando para passar o pão na panela.
Depois de pronta, ela colocava em vidros, lacrava e liberava o caldeirão com uma boa quantidade do molho, para nós passarmos o pão. Meu avô, previdente, ia ate a padaria e trazia grandes filões de pão e ficava assistindo a farra.
A gente saia com molho no rosto, no cabelo, nos olhos, comia um filão ou dois de pão, e ia direto para o banho, na banheira branca da vovó, era uma bagunça!
Minha avó Ana e meu avo Jose viviam o ano todo no silencio, na calma de uma cidade pequena, mas quando chegavam as ferias, era um pandemonio! Gente corajosa, hehehehe.
Adoro lembrar deles!